sábado, 2 de outubro de 2010

"Non dvcor, dvco"


Bom, para começar vou falar um pouco de história. Você conhece a famosa sigla MMDC? Em 1932, na era Vargas, o Brasil vivia uma ditadura em que o país encontrava-se sem uma constituição que formasse uma identidade nacional. Não havia congresso nacional, assembléia legislativa nem câmaras municipais. Alguns estudandes paulistas, em forma de protesto, prepararam uma série de manisfestações contra Getúlio Vargas, que eclodiram no dia 23 de maio na capital paulista, num clima de revolta.Um grupo tentou invadir a Liga Revolucionária - organização favorável ao regime e que ficava situada nas proximidades da praça da República. Os governistas resistiram com armas, o que resultou no falecimento dos jovens: Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Camargo de Andrade. A sigla MMDC passou a representar uma organização civil clandestina, que, entre outras atividades, oferecia treinamento militar. A esse episódio seguiu-se uma intensa campanha de alistamento voluntário, a 10 de julho, em diversos postos distribuídos pelo estado e veio a culminar com a Revolução Constitucionalista de 1932.

Mas por que eu falei tudo isso? Por que eu citei esses heróis paulistas? Porque eles tinham o que falta nos jovens de hoje para tornar o mundo melhor, a capacidade de indignar-se. Nós, jovens de hoje, estamos acomodados com a situação do mundo, achando que tudo está bom do jeito que está, mas não está. Nos calamos diante todas as adversidades, aceitamos tudo o que nos é imposto, e não sei vocês mas não é nessa omissão que quero passar a minha vida toda, não quero ser mais um fantoche desse sistema medíocre. Se eu pudesse dar um conselho, eu diria para que leiam, para que estudem, para que saiam dessa alinação, desse mundo "perfeito" em que vivem, para que consultem a sua consciência, convido-os a participar do mundo real. Deve ter sido bom o tempo em que as pessoas se indignavam, falavam, lutavam e até morriam pelas suas causas. como dizia Eduardo Alves da Costa em um de seus poemas:

No caminho com Maiakóvski

"[...]

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

[...]"

Fica aqui minha indignação pela falta de indignação, levante e fale enquanto é tempo !

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